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Na dança da (in)suficiência.

Há um tempo atrás, fui dar uma aula de yoga na praia, num lugar que adoro e que sempre que posso, vou como aluna. Era a minha primeira vez como professora naquele lugar.


Para minha surpresa, quando cheguei lá vi o outro professor, que também dá aulas por lá (e que, no meu julgamento, é muito competente!). Mas, não era o dia dele. “O que ele estava fazendo ali?” - me perguntei.

E então, em segundos, a ficha caiu. “Oh, não! Ele veio participar da aula!”.

Nesse momento, meu ser que está aprendendo a sustentar quem sou e todas as minhas ofertas, desde um lugar de suficiência, vacilou, e me levou para um lugar já conhecido de medo, de alerta.

Perigo!!! Perigo!!!

Era como se o meu cérebro primitivo tomasse conta naquele momento. Assim, a primeira saída que vi para cuidar daquela “ameaça”, foi oferecer a ele o espaço para conduzir a aula, porque afinal, como eu(zinha!) poderia dar uma aula para ELE que pratica e ensina yoga há mais de 20 anos?

Obviamente que a minha estratégia de fuga fracassou. Ele disse, não. Tinha ido lá para fazer uma aula, como aluno, queria receber, desfrutar. E tinha todo o direito!

Para melhorar ainda mais a minha situação, um outro professor que nunca vi por lá (aliás nunca tinha visto em lugar nenhum dessa ilha) também resolveu aparecer. Que maravilha, não é mesmo?!

A vida sempre dá um jeitinho de nos ajudar a reforçar aquilo que precisamos aprender. Pois bem... mais uma vez, dei as mãos a minha coragem e enfrentei o desafio. E depois de alguns minutos de aula (e um belo pranayama - um exercício de respiração) aquela sensação de insegurança não estava mais lá, tinha desaparecido.

E por que resolvi contar essa história?


Porque nas conversas que tenho com as pessoas que atendo, essa tal insuficiência quase sempre aparece nas histórias que contam, que vivem. Ela está lá, nas situações cotidianas, impedindo (ou dificultando) que cada um se lance na vida com aquilo que já possui, que já tem dentro de si. E é lógico que comigo não é diferente. Somos todos aprendizes nessa vida. Mas somos mestres também, e vivemos nessa dança de ensinagem onde aprendemos e ensinamos o tempo todo.

Sendo assim, ao me deparar com essa experiência (e essa é apenas uma de várias que seguirão ocorrendo até que o aprendizado seja incorporado) me conecto com a beleza da oferta que somos todos nós, com tudo aquilo que já temos em nós, que já sabemos, independente do que ainda temos que aprender. Reconheço na carne a crença que carrego comigo, que somos todos mestres e aprendizes, e que estamos todos a serviço de algo maior. Mas, para que isso realmente aconteça, precisamos ter a coragem de honrar quem somos e o que damos conta de oferecer, hoje mesmo. E então sentir, no íntimo de nosso ser, que isso já é SUFICIENTE!